Perdi o emprego durante a pandemia. E agora?

Provavelmente esse é um questionamento, ou uma angústia, de milhares, ou milhões, de pessoas no mundo todo. Em plena pandemia de Covid-19, muitos trabalhadores estão sendo desligados de seus postos de trabalho porque seus empregadores não têm dinheiro para pagar seus salários (ou porque são oportunistas mesmo). A “crise do coronavírus” já mostra que o futuro da economia e do mercado de trabalho é incerto e que o cenário do desemprego e do trabalho informal se tornará cada vez mais desafiador e instável.

Se você também está passando por isso e tem de enfrentar, além da ameaça invisível do vírus, a falta de dinheiro e de perspectivas, sinta-se acolhida(o) e abraçada(o).

O título deste texto é a minha realidade. Na segunda-feira, dia 11 de maio, fui desligada da editora na qual trabalhava, juntamente com muitos outros colaboradores – cerca de 20 pessoas, pelo que fiquei sabendo. Para uma empresa de médio porte, é um número expressivo, principalmente no período que estamos vivendo, em que tantos lutam para manter as contas em dia e prover o sustento para a família.

Estranhamente, a empresa fez questão de frisar que a demissão não foi causada pelo vírus ou pela crise da pandemia, pelo contrário, disse que está muito bem, obrigada! Segundo nos foi dito, a demissão coletiva foi uma estratégia para fazer uma reestruturação das equipes. Ótimo momento para isso, né?

Embora seja tentador vociferar contra os gestores que tomaram essa decisão, ou mesmo gritar contra o capitalismo, sei que de nada adiantará. Além do mais, sei que minha situação é de privilégio pois, apesar de tudo, tenho o suficiente para viver e ficar em casa, enquanto muitos são obrigados a sair e se arriscar para não passar fome.

Pensar nisso me revolta demais! Porém, reclamar não surte efeitos, e a única forma de derrotar esse sistema injusto é procurar ou criar novas maneiras de viver, não só para mim, mas em coletivo. Por isso, hoje quero usar esse espaço para tentar ajudar àqueles que, como eu, estão nessa jangada furada do desemprego. Nem que seja apenas com algumas palavras de conforto.

Agora, é hora de recuperar o foco.

Passado o susto, quase quinze dias depois do baque inicial de ser demitida, consigo vislumbrar várias ideias para me ocupar, tentar retomar a vida profissional e pagar os boletos. Eu não tinha pretensão de continuar naquela empresa por anos a fio ou fazer uma carreira ali, pois estava um pouco insatisfeita e via muitas injstiças lá dentro. No entanto, também não esperava ser demitida, porque preciso me sustentar no meio dessa pandemia.

Ainda assim, é inevitável pensar: podiam ter esperado alguns meses, ou por que não fizeram isso no começo do ano?, mas a verdade é que não adianta reclamar ou viver em hipóteses que não se concretizaram.

Longe de mim querer oferecer dicas mágicas ou receitas milagrosas para ganhar dinheiro, ser feliz ou para qualquer outra coisa, na verdade. Afinal, não existe isso de “fórmula infalível”. Quero apenas compartilhar com você alguns pensamentos que tem me ajudado a seguir no caminho da esperança.

Enfim, acho que só quero dizer a você: estamos juntos nessa!

Se a vida te der limões, asse um pão

Está bem, essa frase não faz muito sentido. Além disso, você provavelmente já não aguenta mais acompanhar as aventuras dos panificadores de primeira viagem, ou os padeiros da quarentena, com seus posts de receitas no Instagram ou no Facebook.

Mas, olha só, essa é uma excelente oportunidade para se perguntar: Será que sou boa em outra coisa? Será que eu me importaria em mudar de área? Será que preciso atrelar minha satisfação pessoal à vida profissional? Por que não encaro um emprego apenas como uma forma de pagar as contas?

No passado, precisei trabalhar em um call center, e isso me fez conhecer um mundo totalmente novo. O salário era muito ruim, mas era o que eu tinha naquele momento, e tudo bem. Era só uma maneira de pagar as contas.

Nesse sentido, os pães podem ser uma boa pedida. Ou qualquer outra habilidade manual que você venha a aprender, caso deseje. Eu decidi investir nos pães, a princípio para consumo próprio por causa da economia, mas nada me impede de vendê-los no futuro, caso precise.

LinkedIn

Essa nunca foi uma das minhas redes sociais favoritas, porém isso vem mudando de uns tempos para cá. O LinkedIn tem sido uma ótima ferramenta para fazer novos contatos, conhecer empresas, ver as vagas de emprego e ter uma visão mais ampla do mercado em que atuo. Vale a pena investir um tempinho e arrumar o seu perfil, interagir com as suas conexões e enviar alguns currículos.

A rede também é excelente para networking, pois nos sugere conexões e permite que colegas de profissão façam recomendações de nossas habilidades.

Mas, nem tudo são flores. Durante essa crise sanitária, muitos influenciadores do LinkedIn têm promovido ações para beneficiar a população mais vulnerável, enquanto outros apenas se manifestam contrários ao isolamento social, promovem debates inúteis e se aproveitam para ganhar espaço e curtidas usando hashtags relacionadas à pandemia. Tais pessoas, muitas vezes, possuem cargos de gestão ou mesmo são CEOs em empresas influentes. Acompanhar esses profissionais é interessante para ter uma noção dos valores e da cultura organizacional dos locais onde atuam.

Quem tem amigos, tem tudo

Dizem que as amizades são postas à prova, ou forjadas, em situações extremas. Aqueles que permanecem ao nosso lado e que estão prontos para nos segurar quando caímos são aqueles que devemos valorizar e ter sempre em nosso convívio.

Você pode até achar que não tem amigos, mas basta pedir ajuda que, tenho certeza, haverá alguém disposto a estender a mão. Lembre-se: pedir ajuda não é sinal de fraqueza, e sim de confiança. Quando pedimos, estamos nos conectando com o outro, mostrando que confiamos nele para nos ajudar.

1, 2, 3… respira!

Ok, vamos lá. Inspire. Expire. Concentre-se no agora. Fazendo um exercício de respiração, reflita: o que tenho, além deste momento? É claro que o desespero bate. É claro que passo muitas horas remoendo e pensando o que será do futuro. No entanto, é preciso lembrar-se de que estamos vivendo em tempos extremos, e nem tudo sairá como planejamos. Em meio a uma pandemia, estar vivo já é um grande sucesso. Confie, peça ajuda e tenha calma; logo tudo se ajeitará.


Foto: Andrea Piacquadio da Pexels