Tempo: o tesouro mais precioso

Eu não vi 2019 passar. Ao contrário, fui atropelada por este ano que chega ao fim hoje.

A princípio, pensei “Graças ao bom Deus o ano está acabando, porque foi um ano horrível, sofri mito, o planeta está em colapso etc.”, mas, sendo bem racional, o que vai mudar de imediato no mundo, no cenário político, na minha vida ou na realidade, como um todo, após a mudança de 2019 para 2020?

Bem, a não ser que eu ganhe na Mega da virada, na minha vida pessoal nada irá mudar no primeiro dia do ano. A não ser que o fascismo, o racismo, o machismo, a fome, as guerras e todas as mazelas sociais sejam banidas da face da Terra por um milagre sobrenatural ao soar das doze badaladas do relógio no início da madrugada do dia um de janeiro, também nada será alterado no cenário, na conjuntura, nos absurdos que vemos acontecer no Brasil e no mundo.

A realidade continuará igual amanhã, exceto talvez pela ressaca que acometerá os boêmios, pelo lixo acumulado nas praias e cachoeiras, pelos momentos alegres que compartilharemos com as pessoas queridas com quem vamos passar essa data simbólica.

De resto, tudo permanecerá igual, porque mudanças levam tempo. Graças ao atropelo que tomei de 2019, aprendi que o grande tesouro desta vida é o tempo: cada segundo importa quando se toma essa consciência. É preciso estar presente em todos os momentos. Ser presente, também. Fazer com que os instantes contem, e não apenas passem um após o outro nos deixando para trás com um vazio no peito – resultado de estar sempre pensando no futuro ou planejando ao invés de agir.

2019 me atropelou porque eu não escutei o meu coração e estive ausente. Fui ausente. De mim e das coisas da vida. Que lição dura e necessária, em meio a tantos conflitos políticos e sociais.

Por hoje, quero apenas conseguir aproveitar totalmente esse dia, que, na verdade, é o único que tenho (e que todos temos). Aproveitar o agora, ainda que seja difícil.

A esperança existe, e não está em um número, em uma maneira de contar o tempo, em uma champanhe estourada ou em euforias passageiras. A esperança é saber que há pessoas ao nosso lado, que há a possibilidade do sorriso, da poesia, do abraço, do amor e do sonho compartilhado mesmo que o caos esteja ao nosso redor.

O que vence o caos é essa nossa capacidade de estar juntos e lutar, de mãos dadas, para que não sejamos atropelados pelo tempo, mas que possamos colher dele os frutos, os benefícios de tê-lo aproveitado, em todos os sentidos.

Aproveitar o tempo para transformar a realidade.

Aproveitar o tempo para cultivar relações.

Aproveitar o tempo para que o agora valha a pena.

No fim das contas, tudo o que temos é o tempo que temos. Lamentar o passado ou temer o futuro não nos ajudam em nada, por isso é importante que tenhamos a consciência do nosso tempo, que é nosso bem mais precioso.

Em O Senhor dos Anéis, há um aprendizado que todos deveríamos levar para a vida. Essa reflexão surge durante um diálogo entre o portador do Um Anel, Frodo, e Gandalf, o Cinzento, o sábio Maiar que acompanha a Sociedade do Anel em sua jornada.

Frodo lamenta seu destino e os tormentos a que ele e seus companheiros foram submetidos. A resposta do Mago Cinzento, ao invés de ser um mero alento ao pequeno hobbit, o faz refletir sobre seu próprio comportamento diante dos acontecimentos.

Frodo: “Queria que o anel nunca tivesse sido dado a mim e que nada disso tivesse acontecido.”

Gandalf: “Assim como todos que testemunham tempos sombrios como este, mas não cabe a eles decidir, o que nos cabe é decidir o que fazer com o tempo que nos é dado”.

Com esse pensamento, desejo que no próximo ano a gente consiga saber tomar boas decisões sobre como iremos utilizar o tempo que o universo nos concede aqui neste planeta. Seremos luz, ou seremos trevas? Faremos a diferença ou passaremos a vida em estado de alienação? Amaremos ao próximo e buscaremos justiça ou teremos os olhos voltados apenas ao que é raso, sem sentido? Talvez haja uma maneira de equilibrar um monte de coisas, porém, de todo modo, teremos que decidir quanto tempo vamos conceder ao que julgamos mais importante.

Que em 2020 tenhamos, então, a sabedoria para poder priorizar as coisas com as quais gastaremos o nosso precioso tempo.

Um bom “novo tempo” a você.


Imagem: Nathan Dumlao via Unsplash

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