A esperança persiste

Dizem que a esperança é a última que morre, mas nem sempre foi assim para mim.

Eu me prontificava a duvidar o tempo todo desse ditado popular como se não passasse de uma exagerada tentativa de confortar os pessimistas. Uma perda de tempo, um alento constantemente desfeito pela decepção.

Havia em mim um excesso de ceticismo em crer que a esperança existia, como sentimento ou atitude, não importa. Eu costumava ver a esperança como uma daquelas coisas da boca para fora, mero costume de dizer “eu espero”, quando me faltava paciência, otimismo ou mesmo a capacidade de enxergar além dos vícios do desespero.

Até que, um dia, não sei dizer ao certo quando, ou em que circunstância – talvez tenha sido uma junção de fatores diversos, e não algo isolado e identificável –, eu necessitei de uma tábua de salvação para me manter acima da superfície da vida. Afinal, não se pode ser autossuficiente, cética e carrancuda o tempo todo, há que se admitir que existem sutilezas, que algo vai além dessa matéria à qual estamos presos.

Pude compreender, após esse mágico instante de epifania, que, ao contrário de minhas antigas crenças rasas, a esperança é um ato de coragem. É fé que age, arde e transcende. Esperança não é passividade de quem espera as coisas caírem do céu, mas sim a força que move aqueles que agem na direção de soluções, utopias e possibilidades.

Por isso, hoje me considero uma pessoa esperançosa, uma fiel recém-convertida a uma religião sem ritos, que de mim pouco exige além da fé.

Espero, porém nunca parada. Esperanço, sempre com um pé na realidade, para olhar de frente os desafios que precisam ser resolvidos.

Agora, digo com clareza que apesar de todas as dúvidas acerca do futuro, a esperança há de prevalecer e persistir nesse mundo tão obscuro.

Ainda que eu desça até o último círculo do inferno e veja todos os horrores que lá habitam, que eu encare os demônios e seja consumida por suas provações.  Ainda que insistam em dizer que a vida é só isso, que não há mais nada além do sofrimento, que somos finitos, impuros e imperfeitos.

Ainda que as luzes do céu se apaguem, que as melodias cessem, que os rios do amor sequem em meu coração. Mesmo que eu atravesse mil desertos sem um mísero oásis para refrescar a pele, que eu seja trucidada pelas incertezas, inseguranças, inverdades.

A esperança há de persistir, apesar de todos os vacilos e tropeços.

Com ela, caminho de mãos dadas, desejando sua imortalidade. Pois esperançar é verbo-elixir, que renova as forças para que possamos viver mais um dia, mais um mês, mais um ano, sem que nossos ânimos envelheçam.

A esperança persiste, uma chama viva dentro de nós, que nos impulsiona até onde moram todos os sonhos e desejos ainda não materializados.


Imagem: Unsplash

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