Um livro em um mês – meu primeiro NaNoWriMo

Existem momentos na vida em que paramos e pensamos: por que ainda não fiz aquilo que sempre sonhei em fazer?

Seja lá o que nos impeça – medo, falta de planejamento, falta de recursos – , parece que nossa atitude mais impulsiva e recorrente é conjugar os sonhos no tempo futuro.

É como se, inconscientemente, nos agarrássemos ao sonho, coisa abstrata e que nos move adiante. Falo por mim quando digo que tenho mania de me apegar ao que desejo sem concretizá-lo, com medo de que as conquistas façam desaparecer esse intenso sentimento que me impulsiona.

Mas a vida, essa coisa imprevisível, sussurrou metaforicamente no meu ouvido, mês passado: você precisa parar de sonhar, tirar os pés das nuvens e materializar os projetos. Foi esse o presente que ganhei no meu aniversário, a força para fazer meus pés se mexerem na direção do que realmente desejo.

Achei muito digno receber uma mensagem tão clara como essa, e logo saí correndo atrás do que sempre quis fazer, mas nunca tive coragem: escrever um livro que não fosse de contos. Um romance, talvez. Uma novel.

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Disseram que os livros com capas têm mais chances de ganhar o desafio. Então, voilà

Porque, embora eu não seja novata no ofício da escrita, faltava em mim a coragem de me entregar profundamente a uma história, de me envolver com os personagens e encarar o processo de escrita como um trabalho integral. Escritora que não mergulha em sua arte só pode ser mesmo uma fraude.

E é aí que entra o NaNoWriMo.

Para quem não conhece, o NaNoWriMo (ou National Novel Writing Month – Mês Nacional de Escrever Livros) é um desafio para escritores, que acontece sempre no mês de novembro, todos os anos. Consiste em escrever um livro de 50.000 palavras em 30 dias.

É quase como escrever um post de mil palavras por dia, durante um mês. Mas, com um agravante: tem que ser uma história coerente, com início, meio e fim. (Ou pelo menos, essa é a ideia).

Conheci esse desafio em 2015 e achei graça, achei ingênuo. Eu julgava ser um feito impossível completar uma história nesse prazo. Mais para frente, entendi que não se tratava de terminar o livro, mas de fazer as coisas acontecerem.

Pensa aqui comigo: se eu me preparasse anualmente para o NaNoWriMo e conseguisse completar as metas, teria (pelo menos) o esqueleto de um livro por ano.

E foi isso que me fez repensar todo o conceito do desafio. Ano passado, me inscrevi e passei vários dias tentando chegar ao título, a uma trama interessante, essas coisas que temos que pensar com antecedência. Nem preciso dizer que desisti antes mesmo de começar.

Neste ano, resolvi me entregar a essa maluquice quase no fim do mês de outubro. Isso significa que tive pouco tempo para fazer os preparativos e seguir os conselhos dos nanoveteranos – como escrever todos os acontecimentos de cada capítulo, fazer uma linha do tempo, planejar os pontos principais da trama, por exemplo.

Pra quê facilitar, não é mesmo?

Sinceramente? Nunca será o momento perfeito. Ou é agora, ou vou continuar a procrastinar e me distanciar cada vez mais desse que é um dos degraus mais altos e difíceis de alcançar no caminho do escritor: terminar de escrever uma história longa.

Sim, eu poderia ter escolhido um projeto de livro de contos, ou de crônicas.

Tenho facilidade para escrever em ambos os gêneros – já tenho contos publicados, escrevo crônicas quase todos os dias. Porém, que graça teria completar um desafio sem torná-lo um pouco mais trabalhoso? Seria como correr uma maratona parando para descansar a cada quilômetro. 

Criar uma história do zero, seguir uma batalha até o final, perseverar, sem desistir – isso é ideal para alguém como eu, que está na fase de precisar testar seus próprios limites e romper os ciclos de coisas inacabadas.

É claro que, ao final do desafio, o livro terá que ser revisado. Pode ser que eu precise escrever mais, reescrever, editar, inserir capítulos. Não importa o trabalho que esse projeto demandará depois. O que vale é chegar ao dia 30 de novembro e dizer: enfim, terminei!

E meu livro já tem até nome: Lições do Infinito. A história, até agora, parece que será bem leve, repleta dos elementos que mais gosto: fantasia, viagens cósmicas, fluxo de consciência, amor – mas nada de romance muito meloso. Personagens ávidos por conhecimento, de si próprios e do mundo. E aprendizados, muitos e profundos.

Não vou mentir, queridos leitores: estou surtando. 

O processo de começar a correr atrás de um desejo tão íntimo quanto o de finalizar a escrita de um livro é como arrumar as malas e partir para outro país. É uma despedida sem lágrimas – talvez, de felicidade. É encarar o desconhecido de braços abertos, e isso envolve assumir a minha própria vulnerabilidade.

Tenho que estar pronta para chorar, para ter vontade de largar tudo, para me motivar e não esmorecer. Tenho que terminar essa maratona, ainda que em último lugar. É uma questão de comprometimento – não com o mundo, mas comigo.

Eu me lembro que, no início do ano, fiz algumas promessas para mim mesma – aquelas coisas bestas que sabemos que não irão durar até o segundo semestre. Dessa vez, resolvi que vou, mesmo, fazer diferente.

Como disse mais acima, há ciclos que precisam ser quebrados. Há paredes que precisam cair, e com elas muitas crenças limitantes, como a de que não sou capaz de escrever um livro, muito menos um livro bom. Agora, só preciso me concentrar em finalizar esse percurso – se o resultado será digno de compartilhar com o mundo, só o tempo e as revisões serão capaz de dizer.

O que eu espero, mesmo, é que esse meu primeiro ano de NaNoWriMo seja o início de um novo ciclo da minha vida de escritora.

Que eu consiga terminar o mês de novembro com o desfecho de Lições do Infinito. Que eu consiga publicar a minha história em 2018. E que eu seja persistente, até alcançar todos os meus sonhos – sem ter medo de buscar/inventar/idealizar outros para ocupar o lugar deles.

Sonhar é infinito. Me desejem sorte!


Imagem: Unsplash

Capa do livro: Arte feita por mim com imagem do Unsplash.

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