Por um mundo menos odioso

Olá, querido blog. Senti sua falta. Foram dias escuros, nesse mês tão belo de outubro, que passou tão rápido, que me encheu de angústias, alegrias, sofrimento e aprendizado. Foi um tempo de silêncio, de autoavaliação, de tantas mudanças que, embora não sejam tão visíveis, me transformaram tão profundamente que, por vezes, não me reconheço ao me olhar no espelho.

Creio que também senti falta de mim, mas isso é assunto pra outro texto.

Assim como ando sentindo a necessidade de parar, respirar, fazer as coisas com mais calma, menos cobrança e mais amor, por favor. Não é isso que tanto se prega por todos os cantos desse mundo?

Amor. Coisa tão fácil de dizer e tão difícil de compreender, de fato.

Dizemos que amamos coisas, como se fosse possível atribuir esse sentimento tão profundo e puro a um objeto, mas, ainda assim, é o que falamos, e é o que se prega, o amor a objetos inanimados, como o dinheiro e tudo o que ele pode comprar. Ouvimos e aprendemos que o amor deve ser incondicional, mas nos irritamos quando não recebemos o conto de fadas.

Somos humanos“, é o que dizemos e ouvimos, nos desculpando por nossa preguiça de buscar a excelência naquilo que deveria ser o traço mais fundamental dessa nossa mesma humanidade: amar.

Retrato fiel da sociedade em que vivemos....
Retrato fiel da sociedade em que vivemos….

Sou redundante nesse tema, eu sei, mas é no desespero da minha alma que falo e escrevo a respeito do amor, porque, fora da minha bolha cor-de-rosa cheia de unicórnios e fofurices, fora da segurança da minha casa que transborda afeto, carinho e esse mesmo amor, tudo o que tenho visto é o oposto, o mais feio, sujo e fétido rancor, o ódio disseminado como se fosse a coisa mais normal, como se a nossa obrigação maior fosse encarar essa podridão toda com resignação e humildade.

Eu não vou me acostumar com isso, nem hoje nem nunca. Me recuso a acreditar que a normalidade é sinônimo de desrespeito, discórdia, desafeto e falta de caridade. São tantas as pessoas caminhando por aí, esbarrando nas nossas vidas sem a mínima noção do impacto que causam, tantas realidades distintas, é compreensível haver desavenças e falta de consenso na maior parte do tempo.

Mas, quando foi que nos esquecemos da beleza, do sublime, do sagrado – que não tem nada a ver com religião, diga-se de passagem? Quando foi que nos perdemos no poço sem fim da intolerância e da falta de empatia?

A história da humanidade é tão nojenta, que fica difícil apontar esse “quando”, muito menos “como”. Desde que o mundo é mundo procedemos com violência, desgastando nossas vidas com questões tão banais como preconceito, imposições, ideologias vazias, projetando o nosso umbigo para fora e desejando que tudo gire ao nosso redor. Menos, por favor.

Eu gostaria de acreditar que a evolução do ser humano transcende a tecnologia e a ciência, ultrapassa a intelectualidade, mas está complicado vislumbrar uma realidade em que sejamos capazes de viver em harmonia.

Não sei se esse sentimento de desamparo, depressão e pessimismo é algo que brota em mim graças aos acontecimentos que tenho vivido ou que têm sido noticiados nas redes sociais, ou se é apenas o reflexo de trinta e três anos analisando este mundo que me levaram a concluir que estamos fadados a viver na merda. O fato é que eu estou cansada.

Cansada de esperar sempre o pior do mundo, das pessoas e das situações. Cansada de ver que não existe amor nos corações endurecidos pela ganância, pelo egoísmo, pela filosofia do “foda-se”, no sentido de não se importar minimamente com os sentimentos dos outros seres.

Cansada de ver pessoas que se dizem a favor da educação, mas que não respeitam professores, que bradam “All you need is love”, mas tratam seus próximos como objetos descartáveis.

Cansada de pensar no futuro e ver que o mar de chorume tende a se tornar cada vez mais volumoso e espesso e que não há gatinhos e doces e nuvens coloridas suficientes no mundo capazes de contra-atacar essa maré de ódio.

Dá até a impressão de que o ódio é, de fato, uma entidade que tem possuído as mentes e os corpos. E que, em breve, seremos vítimas de um apocalipse-zumbi, mas não graças a um vírus assolador, e sim a essa entidade obstinada a espalhar a escrotidão pelos confins da terra.

E não existe um alvo exclusivo para esse sentimento. O ódio parece estar tão enraizado nas pessoas, que basta um pequeno gatilho para a bomba explodir em todas as direções. Os negros, as mulheres, as mulheres gordas, os homens gordos, as mulheres magras “”””demais”””, os ricos, os pobres, religiosos, ateus, homossexuais, heterossexuais, animais, plantas, tribos, povos, nações. Somos todos alvos ambulantes dessa praga que assola o nosso pobre planeta azul.

Alguns, muito mais que os outros – e, embora isso seja bem claro para mim, mulher gorda, talvez seja ainda mais claro e nítido para uma mulher negra gorda homossexual, por exemplo. Ou para um rapaz pobre negro. Ou para um muçulmano. Ou para um ateu. A gente sabe bem como as coisas funcionam: basta existir numa dessas classificações e, bum, tome aí o seu ódio, que é isso o que você merece.

E eu me pergunto: de quê isso adianta? Onde as pessoas que destilam seu ódio nas redes sociais e no mundo real acham que vão chegar com essa ira sem fundamento?

E, ainda que haja motivos para haver ressentimento, mágoa, desilusões, ou o que for, o ódio alimentado por quem te feriu não traz recompensas – e se eu estiver errada, favor me enviar uma lista dos benefícios de odiar alguém ou alguma coisa, porque talvez eu esteja perdendo tudo isso, sendo trouxa e defendendo o amor.

Ele, que, por sua vez, tem o poder de renovar todas as coisas, de fazer nossos olhos, vermelhos de fúria, raiva e desejo de vingança, se abrirem para a solidariedade e para a verdadeira harmonia.

Mesmo sem conseguir enxergar um futuro colorido e belo para este mundo ranzinza e apático, eu imploro: vamos espalhar o amor por aí. Por favor!

Que a cada passo, cada atitude, cada gesto, sejamos um ponto de luz nessa escuridão de desamor que tanto nos oprime…

morelove
Espalhe mais amor do que ódio ❤

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s