Sobre as vozes na nossa cabeça e a importância de cada uma delas

Sábado fui ao cinema com minha enteada e meu marido assistir ao filme de animação “Divertida Mente”, produzido magistralmente pela Pixar, que é capaz de transformar em ouro tudo aquilo que toca. Tirando as crianças que ficaram gritando durante a sessão, e um pedaço da tela que estava meio apagado (e do qual reclamei durante todo o filme, porém esqueci de reportar à gerência do Kinoplex), foi uma das animações mais legais de todos os tempos.

Eu ri, chorei e fiquei refletindo durante muitas horas após chegar em casa. Existem tantas vozes dentro de mim, tantos sussurros, tantos botões, que algumas vezes tenho a impressão de que vou surtar. Essa maneira lúdica de enxergar nossa maneira de pensar e sentir pode parecer bobinha, porém o filme tem um profundo significado.

Como será a sala de controle da minha cabeça?
Como será a sala de controle da minha cabeça?

Vou copiar aqui uma das sinopses que encontrei sobre essa maravilha:

Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle – e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente“.

Se você não quer nenhum spoiler sobre o filme, sugiro que pare de ler por aqui.

“Poxa, Tristeza, tinha que encostar nessa memória feliz?”

Incrível o roteiro, não é mesmo? Esse desenho me fez lembrar de quando assisti ao “Procurando Nemo” e sobre como essa animação também tem um tema complexo e bastante adulto, falando sobre a família, sobre não desistir, sobre aceitação, e tantas outras coisas das quais precisamos, mesmo, falar.

A Pixar se empenha bastante para levar o público a repensar muitos aspectos da vida, indo muito além do entretenimento, e eu duvido que vocês não tenham chorando com o “Up!” e suas lindas lições de persistência, fidelidade, amor e perdão. Eu, pelo menos, me emocionei demais!

De qualquer maneira, o Divertida Mente (ou em inglês Inside Out) me fez revirar um pouco do avesso e ponderar sobre as minhas próprias emoções, sobre como elas controlam as minhas atitudes e podem até mesmo me fazer perder a minha essência.

Porém, o mais interessante e digno de reflexão, na minha opinião, foi a maneira como, no filme, a Alegria quer sempre ver a Riley feliz, e acaba assumindo o controle de tudo e impedindo que as memórias tristes ou de medo, raiva e nojinho sejam levadas a sério ou se tornem memórias-base (que, na história, são aquelas que compõem a personalidade da garotinha).

Aí, no fim das contas, acontece a maior confusão porque a Alegria não quer que nenhuma memória triste seja instalada na memória permanente da Riley, para que ela seja alegre o tempo todo. É admirável a disposição que a Alegria tem em sempre ver o lado positivo das coisas e de nunca desistir, é bonitinho ver o Medo se apavorando com tudo.

É tenso quando a Raiva assume a mesa de controle e faz as coisas sem pensar, e quando a Nojinho faz a menina torcer o nariz para as coisas fúteis. Mais admirável ainda foi a forma como as emoções foram retratadas, pois elas também sentem outras coisas que extrapolam a sua função primordial.

Em uma das cenas após a mudança de Riley, ela está na escola, contando um pouco sobre ela mesma, e, enquanto uma lembrança de sua cidade natal está sendo projetada como um filme dentro de sua mente, a Tristeza vai lá e encosta um dedinho naquela memória-base.

A pobre Riley começa a chorar e as lembranças das coisas que a faziam feliz – sua casa, o hóquei, seus amigos – acabaram se tornando motivo de choro. Ora, é claro que sim. Imagine ter que deixar o seu lar e todo o resto para trás e mudar para uma cidade desconhecida em plena pré-adolescência!

Momento
Momento “tela azul” – estou feliz, triste, com medo, raiva ou nojinho?

Ao final do filme, as memórias aparecem multicoloridas, o que significa que nem sempre são dominadas por uma só emoção. É isso o que acontece na vida real, não é verdade?

A sutileza do roteiro é genial… As crianças na plateia se matavam de rir com as bobeiras, porém, ao olhar ao redor, eu via os adultos chorarem e sorrirem de uma forma totalmente diferente, talvez como se imaginassem o que se passa dentro de suas próprias mentes.

Certamente, foi isso o que aconteceu comigo. Muitas vezes acabo deixando a Alegria tomar o controle das situações, quando, na verdade, deveria estar sentada numa mesa com as outras emoções, tentando entender como elas agem, por que são como são, por que não conseguem trabalhar em harmonia…

Afinal, quem está no comando da nossa cabeça são elas, ou somos nós que as controlamos?

Ou seja, não adianta banir a tristeza ou impedir que ela aja na nossa vida, porque, mais cedo ou mais tarde, alguma coisa triste vai acontecer e a gente vai ter que aprender a lidar com isso. E se não aprendemos, acabamos nos esquecendo de quem somos e de tudo o que nos compõe.

Todas as emoções são importantes e devem ser respeitadas, aceitas, trabalhadas e compreendidas.

Como podemos entender quem somos se não soubermos o que se passa na nossa cabeça e no nosso coração?

Não adianta simplesmente lançar uma emoção da qual você não goste para o abismo das memórias esquecidas, ou trancá-la num compartimento esquecido da mente, ou então cobri-la com um pano velho. Aprender a lidar com elas, de forma equilibrada, acaba sendo a única maneira viável de não enlouquecer por completo e de não perder a nossa essência.

Para encerrar esse post, deixo aqui o trailer de Divertida Mente, com a recomendação: ASSISTAM, POR FAVOR.

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