Communication Breakdown

Communication breakdown, It’s always the same. I’m having a nervous breakdown. Drive me insane.

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“mhrioppjgtrfwnbh”

Embora o título do texto seja o nome de uma música do Led Zeppelin que eu gosto demais, eu não vou escrever sobre ela, mas sobre as consequências do fato de eu não saber me comunicar. E como isso atrapalha a minha vida, visto que agora, quando eu deveria estar trabalhando, estou aqui destrinchando a minha falta de capacidade, ou falta de inteligência emocional, para saber lidar com as coisas da vida, leia-se: conflitos de relacionamento.

Meu cérebro funciona bem e eu eu sou muito capaz de reclamar quando estou com fome, quando sinto uma dor qualquer eu digo “ai”, sei dar informações sobre coisas diversas, e desempenhar as funções fáticas básicas. Tipo, falar ao telefone, escrever um e-mail. Até mesmo interpretar um texto. Talvez eu ainda tenha bastante que aprender nesse último ponto, principalmente sobre o que está subentendido nos pormenores, mas isso não vem ao caso. O que eu não sei, mas não sei mesmo, é agir de forma madura e sensata quando os nervos e a emoção estão à flor da pele, ou seja, quase sempre, e eu fico emburrada, triste e volto a ter cinco anos de idade. A vida é muito dura, ou os meus olhos a enxergam assim, e tudo vai acumulando, formando uma massa escura e sem sentido… Quando eu acho que meu temperamento está melhorando, que eu dei dez passos pra frente, eu olho para o chão e encaro a dura realidade de ter dado mais outros vinte passos para trás. Avanço dois metros e recuo trinta.

Eu comecei a ler um artigo que falava sobre o grande problema da falha na comunicação entre as pessoas, e o que isso acarreta – porque eu tenho sofrido muito com isso ultimamente. Sou um desastre quando se trata de transmitir, com paciência, serenidade e calma as minhas angústias, expectativas e necessidades emocionais ou físicas a quem quer que seja, sobretudo a quem convive mais de perto comigo. O resultado: eu sou um vulcão em erupção. Abafo as inquietações, coloco uma pedra em cima, não trabalho isso dentro de mim, e, quando menos se espera, as portas do inferno se abrem. Pode parecer engraçadinho, mas não é.

Nesse artigo, o psicólogo descreve as principais catástrofes que acontecem por falha na comunicação, e, de uma forma mais profunda, a incapacidade que muitos de nós temos de sermos autênticos sem magoar os outros, de escutar sem fazer pré-julgamentos, de vomitar e gritar o que estamos pensando sem ponderar as consequências, de fazer concessões, chegar a um meio-termo que seja razoável para ambas as partes, e a séria mania de atribuirmos culpa aos outros. A gente não sabe lidar com as nossas emoções, por vezes a tendência é escondê-las, ou deixar a coisa chegar num nível tão insuportável que, quando percebe, o vulcão explode. Ou melhor, a bomba nuclear.

Cadê a fórmula ou o botão pra isso não acontecer?

Mea culpa. Pra todos os casos que citei acima. Houve um tempo em que eu enxergava a minha transparência como algo positivo, mas hoje eu penso diferente, porque é essa mesma “qualidade” que age como uma espada, ferindo as pessoas ao meu redor. Se eu não estou contente, está na cara, mas quem está do outro lado pode não entender, pode se magoar, e eu mesma acabo não entendendo o motivo de não estar assim tão bem. Gostaria de ser capaz de esconder algumas coisas, aliás, não somente escondê-las, mas dar a essas coisas o tempo necessário para que eu possa digeri-las, aprimorar a maneira como eu lido com elas e, depois, fazer algo a respeito – ou não.

Cheguei também à conclusão de que eu não sei escutar muito bem e, em meus relacionamentos, eu sou a imponente senhora soberba da verdade, que não se atreve a dar o braço a torcer ou entender que o mundo não gira ao meu redor, ou que as coisas não são do jeito que eu gostaria o tempo todo. E, o que é pior, eu cobro dos outros que sejam compreensivos comigo. Aí, quando vou comunicar alguma coisa, é mais uma ordem, uma bronca, do que um simples “olha, não tá legal, vamos conversar?”, expondo detalhes e conversando de forma adulta.

Ou seja: eu não cresci. Eu tenho trinta e dois anos, porém a maturidade está longe, bem longe de ser uma realidade. Lidar com as frustrações, com as impotências e com os impasses da vida deveria ser algo ensinado na escola, sério mesmo. Sei que já falei sobre isso em algum outro texto recente, e se repito é porque creio nisso com firmeza. Aprendemos gramática, inglês, matemática, física, química, mas e as relações humanas? O único lugar onde aprendo a conviver melhor e me comunicar de uma forma mais saudável é na religião, e mesmo assim não está funcionando lá muito bem. É duro admitir, mas eu acho que não sou uma pessoa tão bem resolvida, afinal de contas.

Aprender a comunicar, a expressar os sentimentos, analisá-los e trabalhar tudo isso dentro de mim sem jogar merda nos outros e, por fim, a amar de verdade. Acredito que Deus esteja me mostrando que está na hora de matar a menina e deixar a mulher comandar a história, ou será que é o contrário? Ter a maturidade de uma mulher, com a doçura de uma menina? Não sei… Só sei que o amor não é bruto, não tem lava, o único fogo que ele traz é o da paixão, o fogo acolhedor nos dias frios, o calor de um abraço. Amor não pode ter briga, discórdia, desentendimento. Amor é matar um pouco do ego, da razão e das certezas, e se eu permanecer apegada a esses vícios, acabarei sozinha, fria e morta. Enquanto eu não aprender isso, jamais serei capaz de fazer alguma pessoa feliz, e, por conseguinte, não serei, nunca, feliz.

Fico tentando desvendar como funciona a minha mente, por que eu continuo repetindo esses comportamentos uma, duas, infinitas vezes, e não consegui chegar a uma conclusão. Viver da forma como tenho vivido, é algo que não tem mais como aceitar.

Assim, logo que terminei de ler esse artigo, fiz algo que estava adiando há algum tempo, telefonei para uma psiquiatra com quem já tinha me consultado há alguns meses e marquei um horário para a semana que vem. Não sei se ela será capaz de me ajudar, de me indicar uma terapia, um remédio, sei lá. Só sei que está na hora de restabelecer o sinal harmonioso das comunicações… telephone-operator0001

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