Livros Indecifráveis

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Fonte: Google imagens

Manuscrito Voynich, Hypnerotomachia Poliphili, Codex Seraphinianus, Codex Gigas. Você sabe o que esses nomes têm em comum? Eu não sabia até algumas horas atrás, e jamais saberia da existência dos mesmos, não fosse a nossa querida Internet, a ainda mais querida Wikipedia, e a falta de temas e de inspiração que me acometeu hoje. Escrever sobre livros também é um desafio para mim, porque requer uma habilidade que me falta, como os eventuais leitores poderão notar a seguir: a de síntese. Escrever sobre livros bizarros e mergulhados numa atmosfera mística é ainda mais complicado, porque eu tenho a tendência a divagar, viajar e me perder no meio do caminho. É a perfeita receita para o desastre! Sem mais delongas, alea jacta est.

Existem muitos enigmas e histórias mirabolantes envolvendo documentos de autoria obscura e sem nenhum propósito aparente, a não ser intrigar os pesquisadores e entusiastas do mundo todo. Os títulos acima são apenas alguns exemplos de obras que não cessam de despertar a nossa curiosidade ao longo dos séculos. Gostaria de ter mais tempo para reunir aqui nessa breve resenha todos os aspectos dessas maravilhas da criatividade humana! De qualquer forma, deixo aos caros leitores um resumão de tudo o que encontrei a respeito desses trabalhos.

O primeiro deles, chamado de Manuscrito Voynich, conhecido como “o livro que ninguém consegue ler”, assemelha-se muito ao Codex Seraphinianus em forma e conteúdo. Com cerca de 200 páginas e sem autoria definida, o manuscrito foi produzido em um alfabeto inexistente em qualquer idioma e nunca visto em outros documentos. Adquirido em 1912, perto de Roma, na Itália, por um livreiro polonês chamado Wilfrid Voynich, tornou-se conhecido pelo nome de quem o descobriu e tornou-o famoso. Possui ricas ilustrações de plantas e astros, sugerindo que o mesmo ocupa-se da botânica e astrologia de algum lugar que talvez não seja desse planeta – ou, como sugerem alguns teóricos, talvez seja escrito descrevendo uma cultura de alguma região remota da Ásia e o texto estranho seja uma tentativa de transcrever um idioma desconhecido pelo autor. Muitos dizem que o texto não passa de uma fraude, criada como uma obra de arte no século XVI, porém isso não me convence muito. Embora haja inúmeros estudos e teorias até mesmo no campo da física e estatística tentando desvendar o seu conteúdo, o seu verdadeiro sentido é um mistério que permanece oculto.

Essas plantinhas me parecem familiares...
Essas plantinhas me parecem familiares…

Igualmente cercado de mistérios, o Hypnerotomachia Poliphili é um livro impresso no Renascimento, também de autoria desconhecida, cuja tradução aproximada significa A luta amorosa de Poliphilo em um sonho. Esse texto, elaborado em diversos idiomas, narra a trajetória do jovem Poliphilo, que tem de enfrentar deuses, ninfas e outros seres mitológicos em busca de sua amada, a ninfa Polia. O livro é notável por ser um marco tipográfico e repleto de xilogravuras e belas imagens clássicas. Talvez não passe de um sonho psicodélico de algum erudito ou de um grupo de estudiosos sob o efeito de substâncias duvidosas, ou talvez seja uma obra incrivelmente elaborada e arquitetada para intrigar e despertar a imaginação dos leitores, cuja beleza e complexidade ainda foge à nossa compreensão. Certamente não será esquecido tão cedo.

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Uma página das aventuras de Poliphilo em italiano

Amplamente divulgado e muito cultuado por designers, ilustradores e artistas em geral, o Codex Seraphinianus, escrito pelo arquiteto e artista italiano Luigi Serafini em trinta meses, de 1976 a 1978, é um tipo de enciclopédia com gravuras de seres estranhos e inexistentes na nossa realidade. Para a decepção dos linguistas e estudiosos que tentaram decifrar – em vão – o conteúdo dos seus textos, o próprio autor acabou com toda a magia que envolvia o seu trabalho, dizendo que sua intenção foi a de criar um livro com uma escrita quase que automática, que transmitisse a sensação a uma criança ao se deparar com uma obra literária. Ela consegue ver as ilustrações, porém estas, assim como o texto, não fazem sentido algum. Apesar dessa declaração um tanto brochante, eu tenho cá as minhas dúvidas. Quem sabe se essa não é apenas uma maneira de despistar aqueles que investigam as origens e o significado desse incrível compêndio?

Parece um daqueles livros de colorir da moda, não é mesmo?
Parece um daqueles livros de colorir que estão na moda, não é mesmo?

Por último, porém não menos bizarro, o Codex Gigas, que é o maior manuscrito medieval do mundo, com 92 cm de altura, 50 cm de largura e 22 cm de espessura, e cercado de lendas e histórias acerca de sua criação. Escrito em pergaminho de origem animal, o Codex contém toda a versão vulgata Latina da Bíblia, exceto pelos livros dos Atos e do Apocalipse, além de outros escritos sobre medicina, datas comemorativas, orações e até exorcismos. É também conhecido como a Bíblia do Diabo, por causa de uma enorme ilustração do capiroto. Dizem que foi redigido por um monge beneditino na República Tcheca, que, para escapar de uma severa punição por quebrar os seus votos monásticos, jurou que escreveria, em uma única noite, um livro que glorificaria a instituição por toda a eternidade. Ao chegar a meia-noite, o religioso percebeu que não daria conta da tarefa e, desesperado, clamou pela ajuda do capeta, vendendo-lhe a alma em troca de seu auxílio – e como pagamento e em forma de agradecimento, incluiu a assombrosa ilustração. Apesar da fabulosa história que o envole, o Codex Gigas não foi proibido pela Inquisição e é estudado até hoje. Eu, particularmente, não duvido que tenha algo de sinistro – de repente o tal Herman, o enclausurado teve mesmo um encontro com o demônio. Só não consigo compreender por que o chifrudo permitira a inclusão de exorcismos num texto que ele ajudou a escrever.

Codex-Gigas-Devil-enhanced
“My name is Lucifer, please take my hand”

Seja pelas lendas que os envolvem, pela misteriosa composição, pelos alfabetos inexistentes ou pelo fascínio de terem sido descobertos sob circunstâncias inusitadas, esses livros, ainda que jamais sejam decifrados, são a prova de que o ser humano é uma coisa muito enigmática e de que existem, de fato, muito mais coisas entre o céu e a terra do que as nossas mentes podem imaginar.

Nos dias de hoje, talvez fosse viável criar uma obra literária tão fascinante e fazer sua atmosfera de mistério perdurar pelos séculos vindouros. Será que alguém aceitaria esse desafio?

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