Mil Palavras…

writesomething

Eu e as palavras estamos de volta, recomeçando uma linda história, reatando uma relação de amor e ódio sem fim… Não sei aonde isso tudo vai me levar; a bem da verdade, estou mais interessada no processo e na jornada do que no destino, em si. É tanta coisa para colocar em dia, são tantos os projetos, temas, devaneios, personagens, que, sinceramente, não faço a mínima ideia de onde devo começar. E com certeza esse será um post muito desconexo e sem muita ordem, porque é assim que me sinto. Quando passamos muito tempo longe dos textos, eles parecem ficar com raiva de nós, nada flui, as palavras entram em conflito.

Eu não sei se posso me considerar uma escritora, nesse estágio em que me encontro, nessa inércia e falta de disciplina, mas já passou da hora de começar do começo: ou seja, voltar a escrever sempre. Sobre qualquer coisa. Mesmo que ninguém leia. Mesmo que pareça algo sem o menor sentido, ou clichê, ou sem tanta relevância. Nem que seja para falar sobre pratos, vasos, ou soar parnasiana demais. Apenas, simplesmente, retomar o delicioso hábito de escrever.
Parece que fica mais fácil concretizar isso criando um ambiente público, que vai me forçar a postar todos os dias, que vai promover um contato direto com quem quer que tenha a coragem e paciência de ler minhas mil palavras diárias.

Eu tenho a consciência de que existe uma certa (ou seria “enorme”) responsabilidade no ato de escrever, e sei também que quem escreve carrega em seus ombros um fardo um pouco (ou seria “muito”) mais pesado do que se imagina… O leitor, por vezes inocente, não faz ideia das tempestades de acontecem na mente de quem se ocupa do ofício de traduzir o mundo em palavras.

Creio que uma das principais e mais árduas tarefas do escritor é fornecer a quem lê uma visão de mundo diferente- e, no caso de estórias inventadas, transportar o leitor a outros mundos, antes inimagináveis. É atear fogo ao que está adormecido dentro de nós, comunicando novas maneiras de pensar e interpretar o que nos rodeia. Isso se aplica principalmente aos que escrevem poemas, contos, crônicas. A ficção é uma forma menos sofrida de releitura do mundo (para quem lê, é óbvio), porém não é nada fácil dar vida a existências que não são reais. É como um parto, por assim dizer. E ainda que o escritor esteja apenas transmitindo um fato, como ocorrem em textos jornalísticos ou biografias, em que se narram acontecimentos verídicos, é impossível que ele não transborde um pouco de si em seus textos, por mais objetivos que sejam. A meu ver, quem não coloca uma pitada de alma no que escreve, não é escritor.

Toda a magia que envolve o escrever e o ler sempre me fascinou demais, desde os tempos do colégio. E resgatar esse maravilhamento tornou-se mais que uma mera opção para mim, é algo urgente, vital.

Mas, afinal, o que é preciso para colocar em prática o exercício de escrever? Será que é possível tornar-se um escritor, ou isso é algo que nasce com a gente? Não vou entrar aqui no mérito de qualidade ou começar uma discussão sob o viés academicista ou culto – mesmo porque o objetivo desse post é apenas servir como pontapé inicial para as minhas postagens. Apenas deixo aqui esses questionamentos tão importantes para quem trabalha com essa matéria tão abstrata e, ao mesmo tempo, duramente concreta, que é a escrita. E, é claro, para quem aprecia a leitura e está sempre buscando entrar em contato com novos pontos de vista, descobrir outros olhares..
Ao que me parece, o que leva à perfeição é a prática. O que nos leva a dizer “este é meu ofício” é, de fato, a ação de fazê-lo. Basta começar. Ou recomeçar, como é o meu caso.

Muitos ilustres escritores já discorreram sobre o ato de escrever e tudo o que isso significa e todas as suas implicações. Sobre a necessidade vital de colocar em palavras aquilo que ninguém mais ousa falar, ou até mesmo aquilo que todos dizem, porém de outra forma.

Pra eu não me esquecer disso, reuni aqui algumas citações:

“Quem escreve sobre sangue e não está sangrando é um covarde” – Fernando Sabino

“O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever.” – Thomas Mann

“Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do ato de escrever.” – José Saramago

“Escrevemos para saborear a vida duas vezes – no momento e em retrospetiva.” – Anaïs Nin

As referências ao ato de escrever nos textos de Bukowski, embora este seja um autor bastante controverso e cheio de “poréns”, são as que me parecem mais honestas.

“se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.”

“- Você aconselharia alguém a ser escritor?

– Tá querendo me gozar? – retruquei.

– Não, não, falo sério. Aconselharia, como carreira?

– Escritor já nasce feito, não é conselho que vai resolver.”

Mas, por que escrever mil palavras por dia? Precisa ter muito o que dizer para escrever um volume assim, não é mesmo? Ou, então, ser um mestre na arte de enrolar…
Talvez não. Acho que meu grande desafio será escolher, dentre tantos verbetes que existem, dentre tantas coisas que eu gostaria de falar, criar, expor, argumentar, quais serão as mais adequadas. E, ainda que não sejam assim tão certas e apropriadas, ter a coragem de dizê-las. Porque, no fim das contas, o que corre nas minhas veias é um fluxo contínuo de palavras sem destino, que está pedindo desesperadamente para sair.

Acho até que, em alguns casos, sentirei a tentação de escrever muito mais… E aí vem um outro desafio: o de fazer os textos caberem neste limite.

Não sei se estou preparada pra isso. Acho que vamos descobrir juntos, eu, o blog, e todos os gentis leitores que possivelmente o acessem.

Let the writing begin!

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